Ha uns tempos estavam umas senhoras simpaticas de sacos não mão, a porta do supermercado e eu não lhes dei nada a não se uma sugestão.
Podem ficar indignadas, achar que sou egoista por não ter uns trocos pra dar um pacote de arroz, mas acho que as pessoas andam distraídas e não pensam em nada do que é de facto a realidade da vida.
Primeiro, quem mais ganha com essas acções são os hipermercados, e esses donos dos hipermercados que ganham com essas campanhas em nome deles mas que quem dá é o cliente, o que oferecem?
Segundo, as pessoas que normalmente doam são também de uma classe social que muitas vezes já precisa de alguma ajuda. Por esse motivo sabe o que custa a vida e é mais caridoso do que quem acha que tudo cai do céu.
Terceiro, por vezes as pessoas que precisam dessa ajuda pra comer, estão sem gás, sem água e sem luz em casa. De que lhes vale um pacote de arroz cru?
Quarto, metade das pessoas que vive atrás destes pacotes de caridade, não são exactamente carenciados, são viciados no acto de pedir. Deparei me com isso em determinada altura da minha vida, em que me sugeriram ir atrás das esmolas e eu ainda fui meia dúzia de vezes e fiquei perplexa com o vicio de certas pessoas em recorrer, tanto a comida como a roupa oferecida e não era por necessidade, era um vicio. Dias depois via as mesmas pessoas a meter parte das coisas no lixo.
Quinto, a maiorias das pessoas que realmente precisam destas ajudas, por vezes sentem vergonha de procurar essa ajuda ou têm muita dificuldade em ir buscar meia dúzia de sacos de arroz e massa, pesados demais para quem não tem um carro ou força e saúde para os levar até casa.
Por isso dei uma sugestão aquelas senhoras.
Seria muito mais rentável existirem centros nas freguesias ou conselhos, em que fosse distribuída comida pronta e as pessoas pudessem todos os dias comer já pronto. Também poderia haver secção de roupa para quem realmente precisasse, assim como lavandaria para os sem abrigo poderem ter roupa lavada, e chuveiros para quem precisasse de banho. O tempo que se gasta em recolhas pra isto e para aquilo que na maioria das vezes se perde a meio do caminho, seria investido em “escolas” para uma nova vida. Estes pequenos refugiados onde os que realmente precisassem e quisessem ajuda, pudessem recorrer.

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