Esta sou eu, quando era pastora nas horas vagas. O meu pai tinha um rebanho de ovelhas e eu comecei a leva-las ao campo com esta idade. Saía da escola depois de almoço e levava as ovelhas para pastarem.
Eu não era uma menina com muitas amigas, eu passava mais tempo a brincar no campo com os animais, do que com as amigas. Costumava deitar-me na erva quando era primavera, e olhava o sol sem me cansar. Eu admirava as cores, as formas das coisas, o toque do vento que agitava tudo. Vestia os cordeiros e deixava-os saltarem por entre as ovelhas, fazendo o rebanho assustar-se. Tinha um mundo só meu, onde até conseguia comunicar com os pássaros. Eu era simplesmente estranha, e por isso as meninas deixavam-me de lado porque eu era tão diferente delas. Sempre admirei a natureza, contemplando a beleza do universo, eu sou filha do universo, apenas uma pequena partícula num imenso conjunto. Acredito que o amor que sinto fervilhar dentro de mim começa logo aí. Acredito também, que a maior coisa que um ser humano pode possuir é a capacidade de sentir amor. Porque no fundo todos somos apenas partículas numa imensidão infinita e o amor é o único sentimento provavelmente capaz de ser tão imenso como o universo.

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