Era uma vez uma mulher que tinha filhos. Para poder pagar as contas e dar comida aos filhos, a mulher deixou de ser mulher para ser empregada, trabalhava dias e noites, deixando os filhos em escolas ou sozinhos em casa. Todos os dias se sentava numa fila de produção e produzia a medida que o relógio andava, e nem dava conta do tempo passar.
O chefe passava duas ou três vezes por dia por ali, a disparar palavras azedas, gritando, “isto é urgente, já devia está feito! Mais produção! Mais rápido!” e porque a rapidez não é amiga da qualidade, vinha depois outro com novas palavras, “Não pode ficar assim! Quero isto bem feito! Não quero prejuízo!” No entanto por mais gritos e palavras azedas que ouvia, a empregada ficava calada e assumia uma culpa que não era sua. Por mais que a vontade fosse também gritar, ela calava pois o medo de perder mais um emprego e ficar sem comida em casa era superior aos gritos. Mal tinha tempo de comer, ela só queria continuar a trabalhar e todas as outras faziam o mesmo, produziam sem parar como se o mundo fosse acabar.
No final do mês recebia finalmente o tão aguardado salário, mas vinha logo a carta da electricidade, da água e do gás para pagar e como se não bastasse, era também altura de pagar a renda. Então lá ia a empregada pagar todas essas contas para as quais tinha trabalhado tanto. Embalava comida numa semana que poderia alimentar a freguesia toda durante um mês. No entanto, quando finalmente pagou as contas e se dirigiu ao supermercado para comprar comida, não tinha mais dinheiro. Os filhos precisavam de comida e de roupa, material escolar e medicamentos. Não fosse a protecção de menores implicar com essas necessidades e lhe tirar os filhos, a empregada arranjou um part time a limpar pratos num restaurante.
Durante o dia embalava comida, ao fim do dia ia rapar kilos e kilos de comida dos pratos para o lixo. Ao fim do mês levava mais uns trocos de salário, já lhe ia dando para os medicamentos ou material escolar...
E a comida? Pensou ela... bem, vou ao lixo ver o que se consegue aproveitar.
E lá foi a empregada aos contentores, tentar tirar comida que desse para alimentar os filhos, mas outra empregada com palavras azedas gritando “Sai daí!” enquanto despeja ácido em cima do lixo...
“Queres comer arranja um emprego!”
Moral da história, produzimos para deitar fora, não somos pagos de acordo com o que produzimos, o que ganhamos não é para vivermos a vida, é para as empresas/elite para quem trabalhamos. O sistema ilude-nos com imagens bonitas, distrai-nos com tvs e net mas somos tão somente máquinas de fabricar capital e poder apenas para alguns!

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