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O sonho com os lobos




 Esta noite sonhei com algo incrível e de uma beleza indiscritível, além das fortes emoções que o sonho de transmitiu. 

Fui viajar com as minhas filhas e alguns elementos da minha família, estávamos em algum lugar que eu nunca vi antes, subia uma pequena encosta que tinha uma vista para um mar calmo e de cor turquesa. Descemos e subimos para vislumbrar as vistas e outras coisas que estavam por ali espalhadas. Algumas estatuetas ou objetos que não me recordo exatamente o formato. Por fim, seguimos pela beira da praia, a maré estava cheia e havia um muro que delineava a praia, sendo que do outro lado ficava a estrada de uma pequena vila. A areia era fina e clara, o sol brilhava e o céu estava limpo. A medida que íamos caminhando, as ondas iam chegando ao muro. Estavam encostados ao muro alguns pertences de gente sem abrigo, e água estava a chegar até lá. Ao ver isso fiquei preocupada com essas pessoas, estavam a perder tudo o que ainda lhes restava mas eu não podia fazer grande coisa. Segui o meu caminho e a minha família também. Eis que entramos numa gruta ou túnel de rochas, que me fazem lembrar um pouco algumas zonas do Algarve, mas mas também as grutas subterrâneas. Ao fundo de uma imensidão de pedra linda e brilhante com relevos no tecto, idênticos a estalactites mas mais arredondados, que refletiam a cor azulada da água, furava uma leve luminosidade do sol. O mar espelhava as pedras tal como estas os espalhavam a ele suavemente. Havia condensação, um ar húmido e quente, mas a sensação era maravilhosa.

Ao sairmos da gruta, já estávamos todos meio separados, tínhamo-nos misturado com outras pessoas que também por ali andavam, eu segui por uma escada que se formava serra acima, não era uma montava, era apenas uma parte mais alta de terra que ia subindo de novo para a zona da vila. Ao subir as escadas, deparei-me com meia dúzia de lobos, uns cinza, uns mais escuros e um castanho, mais parecia uma raposa mas sem dúvida era um lobo da cor de uma raposa, esse começou a seguir me e a tocar me com o pêlo nas pernas, quase como pedindo que o mimasse, tal gato quando quer mimos. A sua persistência foi forte e acabou por ganhar a minha atenção. Havia uma pedra em forma de coluna ali perto, já na entrada para a estrada da vila, e ele subiu para aí ficando a altura dos meus ombros, nesse momento olhou me nos olhos e eu consegui ver que sorria, um sorrido idêntico ao dos huski, algo extremamente carinhoso e fofo. Foi impossível resistir-lhe e abracei-o.  Esse foi um momento de uma enorme emoção, eu senti que ele chorava mas estava feliz pelo meu abraço, era um choro de felicidade, e eu chorei com ele e pela mesma razão, e ao mesmo tempo fui sentindo um abraço, esse lobo acabava de se transformar num homem que me agradeceu a minha ajuda e foi embora. 

Continuei a minha caminhada pela vila e encontrei uma mulher que guardava um lobo bebé, a minha irmã estava com ela, não sei o que falavam, mas a minha irmã disse-lhe que me molhasse com a tal água e ela assim fez. Então entendi que a ideia da mulher é que se me molhasse, eu podia ajudar o lobo bebé, mas não era a água, era o meu coração que libertava os lobos. Então eu sorri para ela quando a vi preocupada de nada ter resultado, e quando ia tentar libertar a bebé, aparece o homem que eu tinha ajudado, vinha numa maca dirigida por alguns homens, ele estava fraco e quando me viu sorriu, logo depois dele vieram mais homens com mais macas, dos outros lobos que tinham sido libertos também. 

Por fim ele levantou-se, era o pai da menina lobo que estava com a senhora, e também ela se transformou na menina. Foi um sentimento maravilhoso ver que todos estavam livres e bem, e uma emoção tão forte que acordei como se tudo se tivesse passado há uns minutos. 

Até ao escrever isto eu sinto a alegria de todos eles e a emoção de querer chorar de alegria.

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